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Canais de Aquisição

Como atrair clientes para uma loja física em 2026

Num sábado, sente-se num banco de jardim entre duas lojas de presentes do mesmo passeio. Por fora, parecem iguais. Até começar a contar quem entra.

Luiz Philipe (LP)

Luiz Philipe (LP)

Atualizado 24 de outubro de 2026

Como atrair clientes para uma loja física em 2026

São 9h12 de um sábado de outubro, e está sentado num banco do largo, com um café na mão.

À sua esquerda, a loja do Rui. À direita, do outro lado do mesmo passeio, a da Beatriz. As duas vendem presentes, utensílios para a casa, velas, canecas, aquelas coisas que alguém compra quando tem de levar algo a um aniversário daqui a duas horas. Mesma rua, mesma gente a passar.

Vai ficar aqui até às seis da tarde. E vai sair a saber porque é que uma destas lojas ainda estará aberta daqui a três anos.

A resposta antes da história

Para atrair clientes para uma loja física hoje, é preciso trazer gente de fora do passeio, porque o movimento da rua, por si só, já não sustenta a maioria das lojas. Os canais que o fazem são a montra que muda e conta uma história, o perfil da loja no Google para quem procura antes de sair de casa, eventos dentro da loja, parcerias com o comércio do bairro e ações que levam a loja até onde o cliente está. Quem depende só de quem passa à porta vive do tempo, do feriado e das obras na rua.

9h40 — As montras

A montra do Rui está cheia. Cheia a sério: quarenta e tal produtos, empilhados, com uma placa de saldos que o sol já desbotou. Fica-se com a impressão de que está assim há meses. Ninguém olha duas vezes.

A montra da Beatriz tem seis objetos. Uma mesa posta para um lanche de domingo, com chávenas, um pano da loiça, uma vela acesa e um cartão escrito à mão: "Para quem vai visitar a sogra pela primeira vez."

Uma mulher pára. Ri-se. Tira uma fotografia. Entra.

Uma montra não é stock exposto. É o anúncio mais barato que uma loja física tem, e o único que trabalha vinte e quatro horas, inclusive com a loja fechada. A da Beatriz muda de quinze em quinze dias. A do Rui muda quando chega mercadoria nova.

11h05 — Quem chega com o telemóvel na mão

Um casal sai do carro de olhos postos no ecrã do telemóvel. Confere o número da porta. Vai direto à loja da Beatriz.

Não estavam a passar. Vieram de propósito.

É fácil adivinhar o que estava no ecrã: alguém escreveu loja de presentes perto de mim, e apareceu um perfil com fotografias recentes, horário certo, dezenas de avaliações respondidas uma a uma e a frase embrulhamos na hora, sem custos.

O Rui também tem um perfil no Google. Foi criado por um sobrinho, anos atrás. Tem duas fotografias da fachada antiga e o horário de antes da pandemia. Não sabe que o perfil existe.

A disputa por quem entra numa loja física começa, muitas vezes, em casa do cliente, antes de ele pegar nas chaves do carro.

13h20 — A hora morta

Depois do almoço, a rua esvazia. O Rui puxa uma cadeira para a porta e mexe no telemóvel. Espera. Durante muitos anos, esperar bastou.

Na loja da Beatriz, uma funcionária está a montar uma mesa comprida ao fundo. Toalha, tesouras, rolos de papel, fitas.

Fica curioso. Às três da tarde, percebe.

15h00 — O evento

Às três em ponto, chegam onze pessoas. Algumas com crianças. É a oficina de embrulhos de presentes, que a Beatriz faz um sábado por mês, divulgada no grupo de pais da escola do bairro e num cartaz na pastelaria da esquina.

A oficina é gratuita. Dura quarenta minutos. Ensina três maneiras de embrulhar. E acontece, naturalmente, no meio de prateleiras cheias de coisas que merecem ser embrulhadas.

Quando a oficina acaba, quase ninguém sai de mãos vazias.

Um evento dentro da loja transforma a hora morta em hora cheia e dá ao cliente um motivo para atravessar o bairro que não seja precisar de alguma coisa. É um dos canais mais antigos do comércio e um dos mais esquecidos.

16h30 — A pastelaria da esquina

Vai buscar outro café. No balcão da pastelaria, ao lado do terminal de pagamento, há um pequeno expositor com cartões: "Esqueceu-se do presente? A 50 metros daqui, embrulhamos na hora." No verso, um código QR e uma condição para quem vier da pastelaria.

Na loja da Beatriz, há um cartão parecido junto à caixa, a indicar a pastelaria a quem quer um café enquanto o presente fica pronto.

Ninguém paga a ninguém. Os dois servem o mesmo cliente em momentos diferentes da mesma tarde. É a isto que se chama parceria de bairro, e não aparece em relatório nenhum.

17h50 — A conta do dia

Antes de ir embora, faz a conta.

Pela porta do Rui entraram as pessoas que estavam a passar. Algumas compraram. Ele vende para a rua, e a rua decide quantas.

Pela porta da Beatriz entraram as pessoas que passavam, mais quem veio pelo Google, mais quem veio para a oficina, mais quem veio da pastelaria, mais quem parou por causa da montra. Cinco canais. Se a rua fica vazia por causa de obras, de chuva ou de um centro comercial novo, ela perde um dos cinco.

O Rui perde o único que tem.

Os canais que trazem gente para dentro da loja

Se tem uma loja física, estes são os canais a ver primeiro, cada um com um primeiro passo que cabe na próxima semana:

Montra e sinalética. Primeiro passo: retirar metade do que está exposto e montar uma cena para uma situação específica do cliente. Troque de quinze em quinze dias e anote se as vendas dessa categoria mudam.

Perfil da loja no Google. Primeiro passo: conferir horário, morada e telefone, carregar fotografias atuais do interior e responder a todas as avaliações, incluindo as antigas. Veja como aparecer no Google quando procuram o seu serviço na cidade.

Evento na loja. Primeiro passo: escolher uma competência ligada ao que vende (embrulhar, degustar, montar, cuidar de uma planta) e marcar uma data no mês, com lugares limitados pelo espaço.

Parceria de bairro. Primeiro passo: identificar um comércio vizinho que serve o seu cliente logo antes ou logo depois de si e propor uma troca de cartões com uma condição para quem vier de lá.

Amostra e degustação. Primeiro passo: separar um produto que leve a pessoa a entrar para provar ou experimentar, e deixá-lo bem claro na porta.

Loja temporária ou banca. Primeiro passo: levar uma mesa com os seus produtos a uma feira, a um evento ou a um condomínio, onde o seu cliente está num sábado.

Código QR na embalagem. Primeiro passo: pôr no saco um cartão com um QR para um benefício na próxima visita. Cada leitura é um cliente que voltou por causa dele.

Patrocínio local. Primeiro passo: apoiar a equipa de futebol de formação, a festa da escola ou a corrida do bairro, em troca de presença real, não só de um logótipo.

Em que banco está sentado?

O Rui não é preguiçoso. Apenas aprendeu o comércio numa época em que a porta era o único canal necessário.

A pergunta que fica é desconfortável: se alguém se sentasse num banco em frente à sua loja num sábado, quantos canais contaria a trazer gente para dentro?

Se a resposta for um, não tem um problema de movimento. Tem um problema de canais. E os canais constroem-se.

A Beatriz não descobriu os cinco dela de uma só vez. Testou um de cada vez, mediu e manteve os que trouxeram gente. O que ela tinha, e o Rui não, era um cardápio de opções.

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Comece por um canal no próximo sábado. O passeio continua lá. A diferença é quem mais vai chegar por ele.

Rui e Beatriz são personagens criados para este texto.

Perguntas frequentes

Como atrair clientes para uma loja física?+

Traga gente de fora do passeio com mais do que um canal: montra que muda e conta uma história, perfil da loja no Google atualizado, eventos dentro da loja, parcerias com o comércio vizinho e ações onde o cliente já está, como feiras e bancas. Teste um canal de cada vez durante 30 dias e pergunte a cada cliente como chegou até si.

Como aumentar o movimento da loja em dias fracos?+

Use o horário fraco para algo que dê ao cliente um motivo para vir: uma oficina, uma degustação, um lançamento ou um encontro ligado ao que vende. Divulgue em grupos do bairro e com parceiros vizinhos. Os eventos recorrentes, com data fixa no mês, criam o hábito de visitar a loja.

A montra ainda faz diferença para vender?+

Faz, porque é o anúncio que trabalha o tempo todo, mesmo com a loja fechada. As montras com poucos artigos, montadas para uma situação específica do cliente e trocadas com frequência, chamam mais a atenção do que as montras cheias e paradas. Meça trocando a montra e observando as vendas da categoria exposta.

Onde encontro ideias de canais para trazer clientes à loja física?+

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