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Canais de Aquisição

Como divulgar a minha empresa gastando pouco ou nada

Dois irmãos abriram negócios no mesmo mês, sem um cêntimo para divulgação. Seis meses de almoços de domingo depois, só um deles ainda se queixava do movimento.

Luiz Philipe (LP)

Luiz Philipe (LP)

Atualizado 24 de outubro de 2026

Como divulgar a minha empresa gastando pouco ou nada

Em casa da mãe deles, o almoço de domingo tem duas regras. Ninguém mexe no telemóvel à mesa. E ninguém sai sem contar como correu a semana.

Em março, as duas cadeiras da ponta tinham novidades. O Gonçalo acabara de abrir uma lavandaria no bairro. A Filipa, a irmã mais nova, um ateliê de arranjos e consertos de roupa a quatro quarteirões dali. Os dois tinham gasto tudo nas obras e nas máquinas.

— Para publicidade, não sobrou nada — disse o Gonçalo, a servir o arroz.

— Nem para mim — respondeu a Filipa. — Então vou ter de gastar outra coisa.

Ninguém perguntou o quê. A conversa foi para o futebol.

A resposta curta: divulgar sem dinheiro é trocar orçamento por tempo bem aplicado

É possível divulgar uma empresa gastando pouco ou nada, mas não de graça: o custo passa a ser horas. Os canais que funcionam sem orçamento são os que o colocam à frente de quem já está à procura ou de quem já serve o seu cliente: o perfil da empresa no Google, as avaliações, as parcerias com negócios vizinhos, os grupos onde o cliente conversa e o pedido de recomendação feito no momento certo. A diferença entre quem cresce e quem se cansa está no sítio para onde vai cada hora.

Domingo de abril

O Gonçalo chegou animado. Tinha passado o mês a gravar vídeos para o Instagram da lavandaria. Três horas por dia, às vezes mais. Dancinhas com o cesto da roupa, a máquina a girar em câmara lenta, a tendência da semana com a música da semana.

— Um vídeo passou das dez mil visualizações — contou, a mostrar o ecrã por baixo da mesa, contra a regra.

— E quantos clientes vieram dele? — perguntou o pai.

O Gonçalo não sabia. Achava que alguns.

A Filipa tinha passado o mês de outra maneira. Uma hora por dia, no máximo, porque o resto era agulha. Na primeira semana, criou o perfil do ateliê no Google, com o horário certo, doze fotografias de antes e depois e uma descrição que dizia exatamente o que fazia: bainhas, ajustes de vestidos de festa, troca de fechos, arranjos de roupa de pele.

Na segunda, começou a pedir uma avaliação a cada cliente que voltava para levantar a peça. Não ao balcão, de passagem. No provador, quando a pessoa via a roupa a servir outra vez e sorria. Era nessa altura que mostrava o código QR colado no espelho.

Na terceira, visitou duas lojas de roupa da avenida.

Contou isto tudo em dois minutos. Ninguém achou muito interessante.

Domingo de junho

Em junho, o Gonçalo tinha um perfil com quase dois mil seguidores e a lavandaria com metade das máquinas paradas na maior parte do dia. Os seguidores eram, em boa parte, de outras cidades. Gente que se ria do vídeo e nunca viria trazer um edredão.

A Filipa tinha uma fila de duas semanas para arranjos.

— Como? — perguntou o Gonçalo, e era a primeira vez que perguntava a sério.

Todas as lojas de roupa ouvem a mesma frase várias vezes por dia: "Adorei, mas ficou comprido." A Filipa propôs um cartão para ir dentro do saco, com a morada do ateliê e uma condição especial de bainha para quem comprasse ali. A loja ganhava um argumento para fechar a venda. Ela ganhava um cliente que já chegava com a peça na mão. Uma das lojas aceitou. Depois a outra viu a primeira e pediu também.

E havia o grupo do condomínio grande ao lado do ateliê. A Filipa não entrou para divulgar. Entrou porque morava lá. Quando alguém perguntou quem arranjava fechos de mochilas, respondeu com uma fotografia de um arranjo parecido e o horário em que estaria no ateliê. Só isso. No mês seguinte, era ela que os vizinhos marcavam sempre que surgia uma pergunta sobre roupa.

E todos os clientes novos ouviam a mesma pergunta: como conheceu o ateliê? A resposta ia para um caderno de capa azul.

O que o caderno azul mostrava

Em junho, o caderno da Filipa dizia de onde vinha cada cliente: o Google, as duas lojas da avenida, o grupo do condomínio e as recomendações de quem já tinha sido atendido. Quatro canais. Nenhum custava dinheiro. Todos custavam um pouco de tempo, todas as semanas.

O Gonçalo tinha um canal só. E nenhum caderno.

Trabalhou mais horas na divulgação do que a irmã. O problema é que todas foram para um sítio onde o público não era o dele. Escolheu o lugar que dava a sensação mais rápida de progresso.

Os canais que custam pouco ou nada (e o primeiro passo de cada um)

Se o orçamento é zero, comece por estes. Não todos de uma vez: um por mês, a medir.

1. Perfil da empresa no Google. É o canal grátis com mais intenção que existe, porque aparece a quem está a procurar agora. Primeiro passo: preencher tudo (horário, serviços, zona), carregar pelo menos dez fotografias reais e responder a cada avaliação. O passo a passo completo está em como aparecer no Google quando procuram o seu serviço na cidade.

2. Avaliações pedidas no momento certo. Pedir no momento em que o cliente acabou de sentir o resultado, e não no pagamento. Primeiro passo: descobrir qual é esse momento no seu negócio e deixar ali um código QR.

3. Parceria com quem serve o seu cliente antes ou depois de si. Loja de roupa e costureira, loja de animais e veterinário, imobiliária e transportes de mudanças. Primeiro passo: listar cinco negócios assim, num raio curto, e levar a um deles uma proposta em que ele também ganha.

4. Grupos onde o cliente já conversa. Condomínio, bairro, associação, grupo de pais da escola. Primeiro passo: responder a perguntas durante um mês sem fazer ofertas. Respeite as regras do grupo; quem chega a vender é removido e lembrado.

5. Conteúdo que responde a dúvidas reais. Em vez da tendência da semana, a pergunta que o cliente faz ao balcão. Lavar um edredão em casa estraga-o? atrai quem tem edredões. Primeiro passo: anotar as dez perguntas que mais ouve e responder a uma por semana.

6. Recomendação com motivo. A recomendação espontânea é sorte; a recomendação estruturada é canal. Primeiro passo: dar ao cliente satisfeito algo para entregar a um amigo, um cartão com uma condição para os dois.

7. Amostra ou demonstração. Deixar a pessoa experimentar antes de decidir. Primeiro passo: escolher a versão mais pequena do seu serviço que consiga oferecer sem prejuízo.

E, para todos eles, o caderno azul. A pergunta como nos conheceu? é o instrumento de medição mais barato do mundo. Sem ela, nunca sabe que canal manter.

Domingo de setembro

Em setembro, quem chegou com uma proposta foi o Gonçalo. Mas a proposta não era dele.

— Sabes aquele cartão nas lojas de roupa? E se fizéssemos um entre nós? Quem leva roupa para arranjar ganha uma condição na lavagem. Quem lava edredões comigo fica a conhecer o ateliê.

A Filipa riu-se.

— Há seis meses que queria propor-te isso.

E, pela primeira vez, ninguém falou de futebol.

De que lado está neste almoço

Os dois irmãos começaram com o mesmo orçamento: nenhum. Os dois trabalharam muito. Um deles terminou o semestre com quatro canais que se alimentavam sozinhos. O outro, com um perfil que impressionava a família e não pagava a renda.

Talvez se tenha reconhecido na cadeira do Gonçalo. Não é falta de vontade. É falta de mapa: saber que canais existem, quais funcionam sem dinheiro e qual é o primeiro passo de cada um.

A Filipa encontrou quatro por intuição e observação. Existem dezenas de outros que custam pouco ou nada e que quase ninguém no seu bairro usa.

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Não precisa de orçamento para começar. Precisa de um canal, um caderno e trinta dias.

Gonçalo e Filipa são personagens criados para este texto.

Perguntas frequentes

Como divulgar a minha empresa sem gastar dinheiro?+

Comece pelos canais que colocam a empresa diante de quem já procura ou de quem já serve o seu cliente: perfil da empresa no Google, avaliações, parcerias com negócios complementares, grupos de bairro e recomendação estruturada. Estes canais custam tempo, não orçamento. Escolha um, mantenha-o durante 30 dias e pergunte a todos os clientes novos como conheceram a empresa.

Vale a pena divulgar só pelo Instagram?+

Pode funcionar como um dos canais, mas depender só dele é arriscado: o alcance oscila e muitas visualizações vêm de pessoas que nunca vão comprar. O ideal é ter pelo menos três canais a funcionar. Se o Instagram é o seu único canal, use-o como montra e abra um segundo canal com mais intenção, como o Google ou uma parceria.

Qual é o melhor canal gratuito para uma empresa de bairro?+

Para a maioria dos negócios locais, o perfil da empresa no Google é o ponto de partida, porque aparece a quem está à procura do serviço naquele momento. Logo a seguir vêm as avaliações e as parcerias com negócios vizinhos. O melhor canal, no fim, é o que o seu caderno de origem dos clientes mostrar.

Onde encontro uma lista de canais de divulgação grátis com o primeiro passo de cada um?+

A Cartilha dos 100 Canais de Aquisição traz 100 canais, cada um marcado com o custo do teste: grátis, baixo, médio ou alto. Para cada canal há um exemplo e o primeiro passo, além de uma folha de cálculo para escolher os três primeiros e um plano de teste de 30 dias. O acesso é imediato pela Hotmart, com garantia de 7 dias.

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Sim. Os canais abrangem empresas locais, prestadores de serviços, lojas online, empresas B2B e profissionais. A cartilha ajuda-o a escolher aqueles que se adaptam ao seu caso.

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