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Canais de Aquisição

Como não depender só de recomendações para vender

Todos os dezembros, ele fazia um churrasco para quem mais lhe recomendava clientes. Este ano, das catorze cadeiras, dez ficaram vazias. A lista de convidados explica o que aconteceu.

Luiz Philipe (LP)

Luiz Philipe (LP)

Atualizado 24 de outubro de 2026

Como não depender só de recomendações para vender

O Rogério comprou carne para catorze pessoas.

Fazia-o havia nove anos. No segundo sábado de dezembro, no quintal de casa, um churrasco para "os padrinhos": as pessoas que mais tinham recomendado clientes à mediadora de seguros dele ao longo do ano. Era a maneira que tinha de agradecer. E, sem que ele se apercebesse, era também a única reunião de vendas que a empresa fazia.

Às três da tarde, quatro cadeiras estavam ocupadas. Às cinco, continuavam quatro.

Ficou junto ao grelhador mais tempo do que era preciso, a virar carne que já estava pronta. E, quando toda a gente se foi embora, sentou-se no quintal com a lista de convidados no telemóvel e fez uma coisa que nunca tinha feito: foi nome por nome, a perguntar porque é que esta pessoa não veio?

A lista

O Sr. Amaro, o contabilista que recomendava metade dos empresários da cidade. Reformou-se em março. O gabinete foi vendido a uma rede, e a rede tem uma mediadora própria. A gerente do stand automóvel, que mandava todos os clientes de carro novo. Foi transferida para outra cidade em junho. A substituta nem sabia quem era o Rogério. O cunhado, que recomendava os colegas da fábrica. A fábrica despediu um turno inteiro. O administrador do condomínio grande do centro. Zangou-se com a empresa de administração e deixou o cargo. O dono do ginásio, que recomendava os alunos. Tornou-se mediador também.

E assim por diante. Dez cadeiras vazias, dez histórias diferentes. Nenhuma delas era culpa do Rogério. Nenhuma estava sob o controlo dele.

Era isso que doía. Não tinha perdido os clientes por atender mal. Tinha perdido porque toda a mediadora dependia da vida de dez pessoas. E a vida das pessoas muda.

A resposta direta

Para não depender só de recomendações, a empresa precisa de duas coisas: transformar a recomendação espontânea num programa com regras e o momento certo, e somar pelo menos dois canais de aquisição que ela própria controle, como parcerias com empresas e prospeção ativa. A recomendação é o canal mais barato que existe, mas depende de terceiros; os outros canais existem para que um ano mau de quem o recomenda não seja um ano mau para si.

A quarta cadeira

Uma das quatro cadeiras ocupadas era da Dulce.

Não era madrinha. Era amiga. Os dois tinham começado juntos, no mesmo ano, como mediadores na mesma seguradora, e saído quase ao mesmo tempo para abrir as suas próprias mediadoras. Durante anos, a carteira dele foi maior. O Rogério era o simpático, aquele que toda a gente conhecia, aquele que recebia recomendações sem pedir.

Perto das seis, enquanto ele raspava a grelha, ela comentou uma coisa que ele ficou a ouvir na cabeça a noite inteira:

"Eu também faço churrasco no fim do ano. Mas não dependo de quem aparece."

Ele perguntou o que ela queria dizer. Ela pegou num pedaço de pão de alho e contou como tinha sido o ano dela.

O que a Dulce fez de diferente

O ano da Dulce também tinha perdido quem a recomendava. As pessoas mudam-se, reformam-se, trocam de emprego, também para ela. A diferença estava em três decisões que tomara anos antes, quando ainda não precisava.

Primeiro, deixou de esperar recomendações e passou a pedi-las. Não em qualquer momento. Na hora em que o cliente estava mais grato, que nos seguros costuma ser o dia em que um sinistro é resolvido depressa. Ligava para dar a notícia, ouvia o alívio do outro lado e, no fim, perguntava: "Conhece alguém que tenha o seguro a acabar e precise de alguém que atenda assim?" E, quando a recomendação se tornava cliente, os dois ganhavam alguma coisa, quem recomendou e quem chegou. Segundo, trocou padrinhos por parceiros. Em vez de torcer para que o gerente do stand se lembrasse dela, fez um acordo formal com duas imobiliárias: todos os contratos de arrendamento novos saíam com a indicação do seguro multirriscos habitação dela, com material pronto, e ela retribuía a gentileza recomendando as imobiliárias a quem procurava casa. Os gerentes mudam; o acordo com a empresa fica. Terceiro, ia atrás de quem não a conhecia. Todas as semanas, duas manhãs fixas, pesquisava pequenas empresas da região, descobria quem decidia e enviava uma mensagem curta e específica sobre seguros empresariais. Poucas por semana. Todas pesquisadas.

A recomendação continuava a ser o maior canal dela. Mas era um entre três, e os outros dois não dependiam da agenda de ninguém.

"Se o Sr. Amaro se tivesse reformado na minha carteira", disse ela, "eu teria sentido. Mas não teria feito um churrasco para quatro."

Como sair da dependência da recomendação, passo a passo

O caminho da Dulce serve para quase qualquer empresa de serviços e para muito comércio. Por ordem:

1. Faça o inventário de quem o recomenda. Liste quem recomendou os seus clientes no último ano e quantos cada um trouxe. Se poucos nomes respondem pela maior parte, já sabe o tamanho do risco.

2. Transforme a recomendação num programa. Defina o momento certo para pedir (o de maior satisfação do cliente), uma vantagem para os dois lados e uma forma simples de registar quem recomendou. Este texto mostra como criar um programa de recomendação que funciona a sério.

3. Troque pessoas por empresas parceiras. Procure negócios que servem o seu cliente antes ou depois de si e proponha um acordo de recomendação cruzada com a empresa, não só com o funcionário simpático.

4. Abra um canal ativo. Prospeção ativa, aparecer na pesquisa do Google, falar em eventos do seu setor, participar na associação empresarial: escolha um que controle e ponha um horário fixo na agenda.

5. Meça durante 30 dias antes de julgar. Anote de onde veio cada cliente novo. Passado um mês, saberá se o canal novo merece ficar.

O ponto não é largar a recomendação. É deixar de lhe pedir um trabalho que nenhum canal sozinho consegue fazer.

Janeiro

O Rogério não dormiu bem nessa noite. Em janeiro, ligou à Dulce e pediu-lhe que repetisse tudo, desta vez com ele a tomar notas.

Sabia por onde começar: as imobiliárias, o pedido na hora certa. O que não sabia era o que viria depois, quando esses dois estivessem a funcionar. Que outros canais pode um mediador abrir? Qual deles custa pouco a testar? Qual combina com quem ele é?

Essa é a pergunta de quem já percebeu o problema e ainda não tem o mapa.

Se a sua empresa também depende da vida de meia dúzia de pessoas, pergunte-se quantas cadeiras estariam vazias no seu churrasco deste ano. E o que faria se a resposta fosse dez.

A Cartilha dos 100 Canais de Aquisição é esse mapa. A primeira das 10 partes é inteira sobre recomendação e passa-palavra, do programa bilateral às avaliações e histórias de clientes, porque o canal mais barato merece ser bem feito. As outras nove mostram o que vem depois: parcerias, pesquisa e conteúdo, redes sociais, anúncios, prospeção ativa, comunidades e eventos, marketplaces, ações locais e imprensa. Cada um dos cem canais vem com o que é, um exemplo, o primeiro passo para testar, para quem funciona melhor e o custo do teste. Junto, uma folha de cálculo para pontuar os canais e escolher os três primeiros, e um plano de 30 dias, dia a dia, para lançar o primeiro canal novo.

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E ninguém precisa de abdicar dos padrinhos. A ideia é que, no próximo dezembro, sejam convidados de honra, não a sua única fonte de clientes.

Rogério e Dulce são personagens criados para este texto.

Perguntas frequentes

Como não depender só de recomendações para vender?+

Transforme a recomendação num programa com o momento certo para pedir e uma vantagem para os dois lados, e some pelo menos dois canais que controle, como parcerias formais com empresas e prospeção ativa com horário fixo na agenda. Meça de onde vem cada cliente novo durante 30 dias para saber o que está a funcionar.

Porque é que as recomendações diminuem com o tempo?+

Porque dependem da vida de quem recomenda: as pessoas reformam-se, mudam de emprego, de cidade ou de ramo. A recomendação espontânea também tende a concentrar-se em poucos nomes, pelo que perder um ou dois deles derruba boa parte das vendas. Um programa estruturado e outros canais reduzem esse risco.

Qual é a hora certa de pedir uma recomendação?+

No momento de maior satisfação do cliente: logo depois de uma entrega bem feita, de um elogio ou de um problema resolvido depressa. Peça de forma específica, por alguém com um perfil concreto, e não de forma genérica. Registar quem recomendou ajuda a agradecer e a medir o programa.

O que traz a Cartilha dos 100 Canais sobre recomendação?+

Uma parte inteira dedicada à recomendação e ao passa-palavra, com canais como o programa de recomendação bilateral, pedir a recomendação no momento certo, avaliações e histórias de clientes. Além disso, traz outros 90 canais para não depender só dela, cada um com o primeiro passo para testar e o custo do teste, mais a folha de avaliação e o plano de 30 dias.

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Sim. Os canais abrangem empresas locais, prestadores de serviços, lojas online, empresas B2B e profissionais. A cartilha ajuda-o a escolher aqueles que se adaptam ao seu caso.

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